As Harmonias de Werckmeister (2000)
Um filme de Béla Tarr
János Valuska, um simples carteiro apaixonado por astronomia, vê sua cidade sofrer uma revolta depois da chegada de um circo e suas atrações: uma baleia gigante e um príncipe medonho com seus seguidores, pessoas simples das cidades vizinhas que ficaram seduzidas pelo seu discurso niilista contra a burguesia local. Quando deixa de fazer parte do circo, o príncipe coloca seu plano anarquista para funcionar, destruindo toda cidade.
Todos são afetados, inclusive Eszter, o tio de János, um teórico e crítico musical que afirma ser os estudos do organista e também teórico Andreas Werckmeister (1645-1706), que revolucionou a música dividindo a oitava em doze intervalos sonoros perfeitamente idênticos, uma ofensa aos deuses, podendo assim mudar o percurso da humanidade.
Assim como seus filmes anteriores, como o já citado “Satantango” (1994), “Condenação” (1989) e o novo “The Man from London” (2007), nomeado à Palma de Ouro no festival de Cannes desse ano, “As Harmonias de Werckmeister” (2000) também foi escrito a partir de um romance do escritor húngaro László Krasznahorkai, chamado "The Melancholy of Resistance". Ao contrário das outras obras de Béla Tarr, o filme em questão apresenta uma atmosfera lynchiana com um tom apocalíptico, considerado por muitos como sua obra prima. Não só por isso, mas também pela construção minuciosa dos planos, pela sinceridade cinematográfica, pela fotografia e trilha sonora estonteantes, que parecem levar o espectador para o mesmo mundo das personagens.
Com tudo isso se percebe que o filme não é fácil, tanto pela misteriosa história quanto pelos recursos usados por Tarr. Os longos planos podem parecer enfadonhos para muitos, mas contêm uma beleza poética única, um prato cheio para os fãs do mestre Andrei Tarkovski.
Assim sendo, assistir a um filme de Béla Tarr, um diretor pouco conhecido no Brasil, é uma experiência única que pode mudar não só nossa visão sobre cinema, mas sim sobre nossas vidas. Afinal, para os amantes da sétima arte, não existe um limiar entre tais coisas.
Por: Anderson M. M.
anderson.mm@hotmail.com


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